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Compreendendo a GRAÇA de Deus mediante a Parábola dos Trabalhadores da Vinha

 

A Parábola dos Trabalhadores da Vinha é uma das Parábolas de Jesus que se encontra em Mateus 20:1-16. Essa parábola narra a história de um homem que assalaria alguns trabalhadores para trabalhar em sua vinha.

 

O interessante é que esse homem contrata os trabalhadores em diferentes horários ao longo do dia, porém dá a todos o mesmo valor pelos serviços prestados. Consequentemente, ao final do dia, uns tinham trabalhado mais do que outros. Mas, mesmo assim todos foram recompensados com a mesma quantia, começando dos últimos para os primeiros. O ensino da Parábola dos Trabalhadores da Vinha traz um grande ensinamento sobre a GRAÇA de Deus a seres humanos pecadores. Jesus finaliza Seu ensino mostrando que a graça de Deus é superior ao esforço humano que muitos empregam, por achar que terão mais recompensas de Deus.

 

1/ O que a Parábola nos ensina e também ensina aos contemporâneos a Jesus.

Essa parábola ensina, principalmente, para nós e para o povo Judeu sobre a Graça, Bondade e Justiça de Deus. Se olharmos com os olhos humanos para essa parábola, certamente, acharemos um absurdo o que esse dono da vinha fez, afinal, quem trabalhou mais deveria ganhar mais, isso é algo justo a nossos olhos. O dono da fazenda deveria pagar menos para quem trabalhou menos e mais para quem trabalhou mais. Isso se torna normal a partir de um ponto de vista natural das coisas desse mundo. Porém Jesus quer ensinar algo espiritual, e mostrar o quanto Deus é generoso para com todos. Seja judeu ou gentio.

 

E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha. Mateus 20:2. O sistema monetário romano incluía o denário (denarius, em latim, plural denarii), uma pequena moeda de prata que era a de maior circulação no Império Romano. É geralmente aceito que, no fim da República e no início do Principado, o denário correspondia ao salário diário de um trabalhador. O dono da vinha ofereceu um salário respeitável para aqueles que procuravam um trabalho diariamente nas feiras ou locais públicos onde esperavam por serem contratados para assim conseguirem o sustento de suas famílias.

 

E combinando o salário deles os mandou a sua vinha logo as primeiras horas do dia. Porém, a bíblia diz que não parou por aí, saiu e contratou outro e até mesmo aqueles que não conseguiram trabalho durante todo dia. Veja o que diz o texto: Saindo pela terceira hora, viu, na praça, outros que estavam desocupados e disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e vos darei o que for justo. Eles foram. Tendo saído outra vez, perto da hora sexta e da nona, procedeu da mesma forma, e, saindo por volta da hora undécima, encontrou outros que estavam desocupados e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo?

Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Então, lhes disse ele: Ide também vós para a vinha. Mateus 20:3-7. Os últimos talvez poderiam ser pessoas de menor valor físico, ou mais velhos, não eram vagabundos pois a própria Palavra do Senhor nos diz: encontrou outros que estavam desocupados e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo?

Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou.

 

Entendendo isso, vemos que antes desse texto temos um contexto. O capitulo 19 de Mateus fala de pessoas que se julgavam acima da media e merecedores de um diferencial pelas obras praticadas. Jesus estava ensinando sobre o Reino dos Céus. E como Deus estaria fazendo para que seu Reino fosse ampliado sobre a terra. No capitulo 19 vemos um jovem rico que se gaba diante de Jesus de não ter infligido um só mandamento da Palavra de Deus. O texto de Mateus diz: Replicou-lhe o jovem: Tudo isso tenho observado; que me falta ainda? Mateus 19:20. Esse jovem estava à procura de vida eterna, através de suas obras, porém Jesus lhe fez um desafio dentro da Lei de Deus: Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. Mateus 19:21. Essa colocação ou imposição de Jesus ao jovem contrariou seus princípios acerca de herdar a salvação ou vida eterna. Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades. Mateus 19:22. Jesus expos claramente que aquele jovem amava mais seus bens do que a Deus e ao seu próximo. Quebrando assim os mais importantes mandamentos da Lei. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Mateus 22:37-39

 

Essa ideia de obter méritos para salvação, ou premiação diante de obras permeava a mente dos próprios discípulos de Jesus. Eles tinham a esperança em receber uma quantia por suas obras, ou serviços prestados e Pedro faz a pergunta: Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós? Mateus 19:27. Isso é típico em nosso meio, achar que seremos melhores diante de Deus, por que fazemos mais, ou renunciamos mais, porém a Bíblia diz que somos premiados por generosidade de Deus, pela sua Graça. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; Efésios 2:8.

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2 / Não houve da parte do dono da vinha alguns privilegiados, porém todos receberam da mesma generosidade.

 

O convite foi feito a todos de igual modo, e com o mesmo salário a quem recebeu o convite. Outra coisa que podemos notar que foi o dono da vinha, que foi atrás dos trabalhadores para sua vinha. Não foi os trabalhadores que procuram o dono da vinha, mais sim, o dono da vinha que os procurou. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido. Lucas 19:10. Podemos aqui ver que não existe méritos do homem na sua salvação, ou na entrada no Reino de Deus e do Seu Cristo. Ninguém seria, nem será digno de se salvar por suas forças, ou obras, e falando disso Jesus usou essa linguagem: Contudo, há últimos que virão a ser primeiros, e primeiros que serão últimos. Lucas 13:30.

Portanto meu amigo, não há injustiça em Deus quando salva alguém que não cabe dentro do nosso projeto de salvação da humanidade. Na maioria das vezes temos um estatuto assim como os judeus tinham a Lei, para que se alguém deseja entrar no Reino de Deus, primeiro deve se encaixar em nossos projetos legalistas. Ate mesmo depois do evangelho ter sido pregado por Cristo, e anunciado pelos apóstolos, havia muita dificuldade de um judeu aceitar que a salvação também Chegou aos gentios. Nós sabemos que a salvação vem dos judeus, como o próprio Jesus declarou à mulher samaritana: (João 4: 22 Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus).

 

Mas apesar do zelo dos judeus e da busca pela salvação, eles rejeitaram a salvação de Deus que é Jesus Cristo; e nós que não éramos judeus por natureza, fomos enxertados na videira verdadeira que é Jesus. Se, porém, alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo oliveira brava, foste enxertado em meio deles e te tornaste participante da raiz e da seiva da oliveira. Romanos 11.17. O ladrão da cruz entrou no paraíso em suas ultimas horas de vida, sem nenhum esforço, assim como o trabalhador da vinha que foi assalariado na ultima hora do dia, também tem direito ao salário que o dono da vinha prometeu ao primeiro, mesmo o ultimo tendo trabalhado menos, a generosidade do dono da vinha lhe alcançou também. Este ladrão que reconheceu na cruz, Jesus como seu Senhor e Salvador, tem o mesmo direito de estar gozando da salvação que Pedro, Paulo, Tiago e todos os outros e nós recebemos até o presente momento. Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres. Romanos 11:22.

 

 

O proprietário da vinha representa Deus. A vinha é o Reino de Deus e sua espera de domínio sobre a terra. Os trabalhadores são os fieis que trabalham nesta grande obra de Deus sobre este mundo tenebroso. O administrador pode aqui muito bem representar Cristo, que por sua obra se tornou o cabeça da Igreja. O salário ou denário, representa a vida eterna oferecida por Ele a todos que aceitam seu convite para trabalhar nesta grande vinha, reconhecendo Jesus como seu único e suficiente Salvador. Porém, meus amados o que vai contrariar aqui nessa parábola é a tristeza dos primeiros, em detrimento da alegria dos últimos. Falei um pouco disso no nosso culto de doutrina. Os últimos ficaram extasiados, por serem também achados dignos de merecerem o mesmo que os primeiros. Mas, os primeiros ficaram bravos de terem recebido o mesmo que os últimos. Ao chegarem os primeiros, pensaram que receberiam mais; porém também estes receberam um denário cada um.

Mas, tendo-o recebido, murmuravam contra o dono da casa, dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia. Mateus 20:10-12.

Hoje não é diferente, quando queremos ditar as normas da salvação segundo costumes e estatutos de denominações e não segundo a Palavra de Deus. Vamos encontrar pessoas que acharemos não serem dignas de receberam a mesma salvação que estamos nela. E isso, por que não andam segundo nós andamos.

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3 / Os princípios adotados por Deus nem sempre são entendidos claramente por nós.

 

Os primeiros a serem assalariados ficaram sem entender o por que outros também estavam sendo tratados como eles foram tratados. Eles tinham uma afirmação com certeza: Nos trabalhamos mais, somos merecedores de mais. Mas, tendo-o recebido, murmuravam contra o dono da casa, dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia. Mateus 20:11-12. Isso acontece em muitas denominações hoje em dia. Porém, o dono da vinha disse: Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? Mateus 20:15. A obra é de Deus. As vezes ficamos indignados sim, com certeza acerca de algumas coisas e de certos comportamentos no Reino de Deus. Porém a obra é dEle, a Igreja é dEle.

 

Vemos até mesmo o apóstolo Pedro tendo dificuldades de entender a Graça de Deus e a salvação dos gentios: Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. Atos 10:34-35. Enquanto o apóstolo Pedro pregava para Cornélio e todos os seus o Espirito santo caiu sobre todos os gentios que ouviam a Palavra, e então Pedro se convenceu de que Deus não faz acepção de pessoas para salvar.

Deus é soberano na realização da salvação. As vezes temos olhos maus ao questionar Deus por que isso, ou por que aquilo. E, Ele o Nosso Deus, sempre sabe o que faz. Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Romanos 9:15.

 

Entender essa generosidade de Deus para com todos os pecadores é difícil para meros mortais como nós somos. Porém partindo dessa premissa de que todos pecaram, e carecem da gloria de Deus. Romanos 3.23, nos ensina que não há méritos nenhum, para que possamos questionar, ou deixar de concordar com o que nosso Deus faz. Deus sempre nos dá mais do que merecemos. Oh! Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Salmos 34:8.

 

O dono da vinha sendo Deus, Jesus nos ensina aqui, que devemos crer na Justiça e Bondade de Deus para com todos. Deus não faz injustiças. Devemos cuidar para não sermos enganados pelos nossos maus olhos, nem pelas nossas percepções humanas a ponto de errarmos pensando como muitos dizem, que Deus é injusto, ou julgá-lo, achando que Ele não pode distribuir a sua bondade pra quem Ele quiser e desejar.

 

Meus amados nessa parábola está a mais rica menção sobre a Graça de Deus. Dificilmente compreenderemos Graça, sem entender quem éramos e o que Deus fez por nós. Enquanto acharmos que somos alguma coisa a Graça deixa de ser Graça, e passa a ser mérito. Deus abençoe sua vida.

 

Pr. Adélcio Ferreira - IBPMG